Um dia Rita despertou com os raios de sol que entravam pela janela .

Com tal intensidade , que sentiu algo estranho, como que lhe atingissem a mente, de uma forma inexplicável . O seu corpo, se deslocou de dentro de si e se colocou de fora.
E ficou olhando de fora , para dentro da sua vida.

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Como foi possível ?
Ter força para lutar constantemente, para não desistir? Para aguentar as coisas ?
Como foi possível , acreditar constantemente que um dia ele entenderia ? Que ele se aperceberia ?
Como foi possível  ter quase terminado com a sua saúde e o seu sorriso ?
Para quê ?
Para uma mão cheia de nada .

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Para nem uma palavra que lhe dissesse que valia a pena continuar a lutar .
Rita  não se lembrava de uma única vez que na história desse homem , ela – a Rita- fosse algo de relevante .
Somente uma mais , na longa lista daquela importante vida .
Ouvindo constantemente as virtudes das outras , levando diariamente com o lugar secundário na vida de outrem .
Como foi possível não ter visto nada ?
Como foi possível ter continuado a lutar até à exaustão ?

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Porque era uma parva sonhadora .
Uma outsider num mundo estranho e incoerente.
Só que o mundo em que vivia , não tinha espaço para sonhadores .

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Levantou-se da cama, ainda meia atordoada . Mas vestiu um lindíssimo vestido , colocou o seu melhor sorriso , sacudiu os seus longos cabelos e respirou fundo …Mais uma gaveta que teria que fechar e recolher sozinha, à sua ilha .
Não iria se sujeitar ao mundo em que ele vivia e que a maioria das pessoas viviam .
Não poderia se tornar algo que ela própria não amasse e respeitasse.

.
O amor que teria que sentir por si mesma , o respeito que deveria ter pelos seus valores e pela sua vida , teriam que se sobrepor a tudo e a todos .
Assim… Abriu a porta e seguiu para o mundo .
E o dia estava lindo … O sol abraçava-a . E apesar das lágrimas que lhe caíam …ela estava livre .
Livre .
O tempo passa, a vida continua .
As dores e o sofrimento fazem parte do crescimento humano.E do seu, também .
Entre sorrisos e lágrimas .

Entre a mágoa de ter visto alguém deitar fora, algo que lhe custou tanto manter e lutar . Algo, que ela sabia ser único e difícil de encontrar.
Aliás , algo que ela sabia que só com imensa sorte, se conseguia encontrar na vida .
Algo que a maioria dos seres humanos dificilmente encontravam.
Mas ela estava bem e feliz . Dentro do que se poderia considerar felicidade .
E para ela – felicidade – era o que ela sentia , cada vez que chegava a casa e se sentava no seu sofá. Olhava para a paisagem, para o ambiente que a envolvia e que a inundava de uma sensação de paz, para com ela e para com o mundo .

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Era o que ela sentia , cada vez que dava uma gargalhada , cada vez que os seus animais lhe provocavam um sorriso . Cada vez, que ela conquistava algo profissionalmente . Cada vez ,que ao caminhar pela rua sentia o sol ou a chuva no rosto , fazendo-a sentir-se viva .
Cada vez que o sorriso e riso de uma criança, a atingia e a fazia sorrir e rir livremente , através da criança , que ainda existia dentro de si.

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Um desses dias, perdidos na história da sua vida , tocaram-lhe à campainha .
Ela abriu a porta e não estava ninguém .
Somente um ramo de flores silvestres . Ela apanhou-o e procurou algo . E lá estava …
Um envelope .
Abriu-o , receosa, como se fosse uma bomba .

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“És e serás para sempre, a mulher da minha vida ”
Desta vez as lágrimas caíram mesmo !
Mas não foi de saudade ou dor .
Foi somente por reconhecer que este não era o mundo dela !
E que nunca iria encontrar nesta vida  alguém que desse valor aquilo que tinha e não à ‘ cenoura ‘ constantemente colocada à frente do nariz .
Os outros, que vivam a vida que desejarem viver !
Ela, jamais se iria perder em jogos de conquistas e engates permanentes , para manter a chama acessa. A chama , de uma insatisfação constante, de alguns ( muitos)  seres humanos .
Ela não iria perder o seu tempo e energia, com tanta estupidez .
A vida, é realmente curta !
Para os seres humanos, andarem perdidos em incertezas e insatisfações .
Para constantemente jogarem, em vez de viverem a plenitude dos dias e os sonhos .

Para somente sentirem falta , quando não têm . Quando perdem aquela ou aquele , que lhes devotou toda a energia . Os seres humanos , gostam de andar constantemente á caça. E quando efectuam uma bela caçada , a peça de caça passou á história. Voltam para o mato procurar a próxima. Acontece, que só depois de muito tempo no terreno e avaliando tudo o que foi caçado , chegam á conclusão que existiu uma , que era a tal.

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Mas se a maioria assim o deseja viver ..Quem é ela para julgar ?
Ela, é somente a Rita .
Uma simples mulher, que um dia sonhou .
Que continuará a sonhar . Mas  sonhos,  que só dependam de si .
Porque existem sonhos que são mesmo para adormecer e não para viver .
Um dia, acordou de um deles .
Depois de estupidamente ter adormecido .

Ás vezes, dormimos imenso sobre sonhos dos quais deveríamos acordar mais cedo, simplesmente para cumprir aquilo que estamos aqui a fazer …

Viver livremente.

 

Paula Gouveia 2011

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Mãe, Mulher, Empresária. Simplesmente Eu e as palavras, que me aquecem a alma e me fazem sorrir.

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